quinta-feira, setembro 27, 2007

A descoberta.

Quando você se pega admirando o perfil de uma mulher a qual ficou contigo numa noite de festa há uns três anos pode ter certeza de uma coisa: você chegou ao fundo do poço da seca!

Que merda!!!!!

segunda-feira, setembro 10, 2007

Momento de Indignação.

Que todos os professores da Faculdade de Letras da UFMG vão tomar no rabo!

Os desgraçados tiveram a pachorra de me darem 60 na prova de inglês. E isso era a nota mínima!!!!!

Eu devia é ser recompensado por ter que suportar uma prova tão idiota!

Tédio... De qualquer forma vou lá amanhã pra pegar meu certificado e fazer inscrição no mestrado.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Dica importante.

Nunca, jamais, em tempo algum, misture anti-depressivo com cerveja. Os resultados são desastrosos, eu posso garantir!

quinta-feira, agosto 30, 2007

Sobre nada.

O que mata nos meses de inverno em Minas Gerais é essa poeira toda e a humidade praticamente nula do ar. Neste exato momento aspiro toneladas de pó no lugar de oxigênio. Sabe-se lá como ainda continuo vivo.

E a prova do mestrado? Bem, o que tenho a dizer... Uma coisa que estava prevista para durar três horas. Entregam-me um texto de uma página pra ler e depois responder a questões de interpretação de texto do tipo que fazia na quarta série. E eu creio que entendi muito bem o texto... Diga-se de passagem achei ele muito vago! Mas foda-se, dia dez sai o resultado e verei se me fodi ou não.

E ainda estou tentando escrever o raio do livro!

terça-feira, agosto 28, 2007

A ciência evoluindo o mundo!

Pesquisadores descobrem o que faz uma mulher caminhar de modo sexy.

Ou seja, nada mais do que a velha bunda... E os caras gastam tempo e dinheiro com isso provavelmente. Por isso voltarei à academia no menor tempo possível!

Pra encher linguiça.

O dia tá chato, quente, empoeirado e eu não tenho absolutamente nada pra fazer neste exato momento. Quer dizer, tenho, mas vou protelar até a última hora.

Estou escrevendo um livro novo que se chamará "Como escrever um épico" e entrará para todas as galerias de clássicos e mais vendidos do mundo até o meio do ano que vem. Mas antes tenho que ganhar um pequeno concurso com ele. Sendo assim forçado a terminá-lo até novembro... Acho que gosto de pressão mesmo.

Amanhã é minha prova de inglês para o mestrado em letras! É de manhã e vamos ver se não enrolo a língua na hora. Mais notícias amanhã.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Presidente da Philips se desculpa por "deboche" sobre o Piauí

Legal, o executivo de uma das maiores multinacionais do mundo sacaneou o Piauí. Disse numa entrevista que "se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".

Agora acaba-se o copiar e colar.

O negócio é o seguinte; se um Estado precisa disso para se fazer notado é porque o homem tinha razão, não é? Além do mais, quem, entre os meus cinco leitores, já foi ao Piauí?

quinta-feira, agosto 16, 2007

Gênios Cibernéticos

Não há quem nunca deu com eles pelas fuças uma vez ou outra - pelo menos se você navega na internet por um número considerável de horas, como eu. Geralmente essa gente gosta muito de copiar e colar textos em todo o lugar por onde passa. Textos quilométricos, essa é a verdade. E quase sempre, senão sempre, intentam em xingar o Lula...

Certo que xingar presidente tem sido o esporte nacional desde a redemocratização, mas isso não se tornou um pouco ridículo? É certo que essa gente copiadora, coladora e xingadora em sua grande maioria não passa de indivíduos de classe média exercitando sua pequenez intelectual para o mundo. Já que agora ficou mais fácil divulgar asneiras por aí por que não colocá-los onde todo mundo possa ver? Quem quiser um exemplo disso vá a uma comunidade no Orkut chamada "Brasil". Uma das maiores do site, por sinal.

No meio, esse tipo de gente ganhou o apelido chique de flamer - como se algo escrito em inglês fosse mesmo chique -, aquele que gosta de escrever coisas só pra ver o pau quebrar. Sei que a maioria deles não passa de adolescentes desocupados, mas desde que recebi correio eletrônico de amigos meus com os mesmos textos começei a ficar com medo. Será que o mundo classe média do Brasil é tão estúpido assim pra se contentar com um monte de besteiras sem fundamento ou prova só pelo prazer de xingar o Lula? Eu também tenho minhas críticas a ele, mas não fico colando e copiando coisas por aí. Prefiro ponderar e analizar caso a caso. Cacoete acadêmico...

Pra terminar, o que eu quero realmente dizer é que me deixa triste ver gente que tem um pouco mais de dinheiro e instrução que os outros sair falando merda por aí como se fosse a maior verdade da Terra. O mesmo povo que gastou uma boa grana com ingressos para a cerimônia de abertura do Pan-americano e tacou a vaiar o homem para o mundo todo. Como se vaias e xingamentos resolvessem algo...

Enfim, classe média brasileira com conexão banda larga e um pouco de grana pra gastar não consegue passar de mero "povinho" fazendo isso. Uma gente estúpida que nem os pobres muito menos os ricos de verdade dão importância. Apenas olham suas passeatas e protestos de camisas brancas contra a violência e por vôos na hora marcada pensando e rindo: "que povo idiota!"

segunda-feira, julho 30, 2007

O Vendedor

Nem havia chegado ao meio da manhã e ele estava lá, na televisão. Vestia uma camisa social de impávido branco, ostentando um relógio dourado de proporções titânicas no pulso direito – sim, trata-se de um vendedor canhoto – e um anel igualmente colossal no anelar esquerdo. E gesticulava... Como gesticulava!... Parecia um desses afogados tentando desesperadamente voltar à tona tal o modo como ele balançava os braços, tomando toda a tela. Chegava mesmo a gritar, compre! Compre tudo que puder, o que estamos oferecendo! Pois sou um vendedor e é esse o nosso ofício!... Duro ofício deve ser o de fazer os outros gastarem o que não querem... Por isso o homem de impecável branco, cabelos castanhos meticulosamente penteados e acessórios mais brilhantes que o sol gesticula, grita, ri. Só não chora pois não convém ao vendedor chorar, a não ser para usar da compaixão do comprador. O que não é o caso deste vendedor. Ele não quer usar de artifício tão baixo e vil. Prefere a alegria, pois sempre disseram por aí que a alegria é a melhor vendedora que há. E quem é ele para discordar da voz da maioria, ele que vive dela o tempo todo, fazendo-a sonhar com mundos dentro de caixas de papelão?

A manhã vai passando e, incansável, continua ele a apregoar seus produtos. Talvez nem saiba mesmo do que está falando. Muitas vezes não o sabe. Leia o que está no papel que está mais do que bom, dizem pra ele. Lê. Chega até a entusiasmar-se com o que lê. Imagina o tipo de utilidade que tal invento ou aparelho novo pode ter para o consumidor. Pode ser até um belo serviço público o que faz! Ora, um homem faz o que sabe! E se ele sabe vender, por quê não pensar no bem que uma nova batedeira pode trazer? No fundo sou um benfeitor!, diz a si próprio no espelho do banheiro durante os intervalos, batendo no peito com orgulho. Sim, o vendedor tem pendor para o drama, o patético. Muito provavelmente foi um ator mal aproveitado no teatro e na televisão por não ser tão jovem ou tão bonito como deveria ser ou por ambos. Pensando assim, nem mesmo poderia vender nada... Porém, um jogo incrível do destino o colocou na frente de uma câmera. Um jogo o qual nem vale a pena discorrer aqui posto ser complicado, longo e fastidioso demais.

O programa já está quase no fim e o vendedor ainda exibe energia e frescor como se pudesse continuar ali por todo o dia. Em verdade terá que voltar mais à tarde, à hora na qual quase todos já estão em suas casas, cansados e prontos para ouvir suas prédicas. Compre, compre, compre! Seu grito alegre ecoando por todos os cantos do país. Hipnotizando todos os televisores do país. O vendedor é a própria alma dos outros, traduzida em luzes e números de cartão de crédito.

Por fim, quando não há mais nada para vender os televisores e telefones são desligados. O vendedor, que durante quase todo o dia berrou alegremente seu bordão, volta ao espelho do banheiro dizer novamente Sou um benfeitor! para sua sorridente e cansada imagem do outro lado. Lava o rosto, ajeita os cabelos levemente despenteados e vai embora da emissora, que parece até perder um pouco o brilho depois de sua partida...

quarta-feira, julho 18, 2007

Energia em Curto

Justo agora quando estavam todos se deliciando com o Pan-americano. Tendo orgasmos múltiplos em admirar estádios que custaram os tubos do dinheiro público. Quando nos ufanávamos de ter ganho da Argentina na Copa América... Enfim, quando perdíamos tempo com um monte de besteiras que absolutamente ninguém, mas ninguém mesmo no mundo presta atenção aconteceu um milagre!

E como todo milagre, veio do céu. Terminando por escorregar numa pista encharcada e bater de frente no prédio da TAM linhas aéreas.

Agora sim estamos aparecendo no noticiário internacional!

Sem querer fazer graça com as pobres pessoas que morreram no acidente, mas tem que ser logo uma tragédia dessas para este país acordar pra vida, ainda que por pouco tempo? Esta manhã na televisão só se passavam imagens dos destroços, sempre entremeados de uma ou outra competição ou entrega de medalhas. Nem mesmo no meio do desastre conseguimos olhar de maneira séria pra alguma coisa!...

Pra terminar, ninguém liga pra esse Pan, exceto os bobões que assistem televisão o tempo todo e meia dúzia de políticos e empreiteiros que faturaram horrores com as obras superfaturadas. Enquanto isso o povo chora pela menina que não conseguiu uma medalha de ouro dia desses. Os aviões caem, o país está uma merda, mas o Pan é no Brasil!...

terça-feira, julho 17, 2007

Okami

Já faz um tempo que não posto nada neste blogue e isto tem bons motivos. O primeiro é que ando meio atarefado com o fato de me tornar o "feliz gerente de um estabelecimento comercial", o que gera o segundo motivo: Todo o tempo livre que possuo vem sendo gasto em horas e mais horas de jogatina no Playstation 2 do meu irmão, console o qual eu acabo usando mais do ele. Mas não é pra jogar qualquer coisa como esses GTAs da vida, não senhor! É para jogar a coisa mais emocionante que vi em toda a minha vida de nerd esmagador de botões de controle.

Chama-se Okami o grande feito.

Nada do que eu poderia dizer aqui conseguiria exprimir a beleza e a delicadeza desse jogo. É lindo só passear pelos cenários, apreciando os gráficos baseados em pintura tradicional japonesa, com traços grossos e expressivos, como feitos com pincel. Aliás, o próprio pincel tem uma bela função no jogo, mas isso falo mais na frente.

Bem, o início do jogo é o que se pode chamar de "normal". Há cem anos atrás uma pequena vila do interior do Japão era assolada por Orochi, um demônio que todos os anos escolhia uma jovem em troca de nao destruir todos. Um guerreiro chamado Nagi o enfrentou com a ajuda de Amaterasu, a deusa do sol, na forma de uma loba. E, enfim, a paz chegou... Até que, cem anos depois, um mané tira a espada que selava o bicho, cobrindo o mundo de escuridão e desespero. Neste ponto que reaparece Amaterasu para consertar as coisas.

Certo, parece coisa mais clichê que vocês, meus cinco leitores, já viram na vida. Principalmente quando se é apresentado a Issun, um "artista andarilho" como ele mesmo fala. Um sujeitinho com o tamanho de uma pulga embora fale mais que lavadeira, além de ser um mulherengo safado de primeira linha. Tudo para ser o alívio cômico do jogo. Mas em se tratando de comédia, até a própria Amaterasu faz das suas. Na forma de um lobo idiota consegue ser engraçada até na hora das batalhas dramáticas.

Enfim, no decorrer do jogo, a história vai se complicando e o quadro de personagens com os quais a dupla Issun e Ammy(como ele a chama) vai interagindo aumenta enormemente. Desde um descendente do famosso Nagi da lenda, um cara preguiçoso e beberrão, até um menino e seu cachorro.

Por fim, falando do pincel. Uma das belas sacadas do jogo. Ammy tem o poder de invocar um pincel divino com diversos poderes dependendo do desenho que se faça - desenha-se livremente na tela, que fica cinza nessa hora. Poderes esses liberados ao longo do jogo. Um dos mais bonitos é o de fazer as plantas renascerem. Usá-los nas cerejeiras para expulsar a maldição de uma área é uma das cenas mais lindas e sensíveis do jogo. Tudo isso acompanhado por uma trilha sonora muito legal!!!

Bem, fim do momento babação. Outro dia talvez fale de outro jogo: Ar Tonelico. Agora vou trabalhar que meu pai já está me olhando com cara feia.

terça-feira, junho 12, 2007

Os Namorados de Rua.

Hoje, 12 de junho, finalmente chega o dia dos namorados, uma das datas que o comércio inventou para tentar arrumar mais um troco dos trouxas usando de sentimentalismo meloso. E assim como em outras grandes efemérides - tal qual o dia das mães e dos pais - as ruas ficam atulhadas de pessoas entrando e saindo das lojas, buscando qualquer coisa com que prensentear os respectivos, sob pena de não dar umazinha à noite.

Tudo seria até suportável não fossem os vendedores - sim, sempre eles! Essa gente, cujo principal requisito no emprego é ter sangue de barata, muitas vezes ficam postados nas portas das lojas apenas esperando que incautos passantes diminuam o passo frente a eles. Logo começa o festival de oferecimentos de presentinhos "a(o) namorada(o)". Não importa que você diga que não tem namorada, que é um ser assexuado e anti-social, desejoso de ver o mundo arder nas chamas do inferno por todo sempre - o que não é o meu caso, pelo menos na parte do assexuado. Não importa nada, eles oferecem assim mesmo. Chego até a pensar no que eles diriam se eu passasse e respondesse assim: "Cu?, não obrigado" bem alto, para toda a rua ouvir. Pena que eu seja bonzinho demais pra isso.

De todo jeito, esse dia parece que foi proveitoso para mim. Sim, pois mesmo que não tenha namorada com quem dar uma trepadinha amorosa no dia de hoje tive a sorte de encontrar um gravador de DVD por módicos 100 pilas! E do jeito que eu precisava!

Sei que essas merdinhas eletrônicas não são nada comparadas a uma boa trepadinha - não sou assexuado, lembram? Contudo, uma vez que não tenho perspectiva de encontrar nenhuma moça interessante no mundo pedroleopoldense no qual me encontro agora, acho que ficou mais em conta gastar com um brinquedo desses.

Quem sabe ano que vem...

Quem sabe eu diga, "Cu? Não, obrigado."

sexta-feira, junho 08, 2007

Crônicas Rurais - Parte 3

Sim, meus amigos, minha saga no lugarejo de Pedro Leopoldo não acabou, infelizmente! Desta vez fui convidado a participar do camarote de um rodeio que vem acontecendo nesta bucólica cidade. Nada mais adequado a este lugar do que um espetáculo onde sujeitos tecnicamente adultos se arriscam montando em touros cujos bagos são esmagados por uma correia a fim de pularem como loucos. Se eu estivesse no lugar dos touros, começaria por meter o chifre na barriga do animador metido a engraçadinho... Mas basta de violência.

Bem, havia o frio cortante e a cerveja cara. Havia também as músicas ruins. Mas também havia, para salvação da noite, a garçonete. A garçonete que servia o camarote onde estava e da qual não consegui tirar meus ébrios olhos durante toda a noite e que mereceria uma ode em sua homenagem. Pena que ela era casada... A vida tem dessas coisas.

Por fim, a cortina do palco se abriu para uma aprensentação da dupla musical(?) Cezar Menoti e Fabiano. Sinceramente, isso parece mais nome de trio. De qualquer jeito a música era uma porcaria e eu enveredei pelo uísque e as curvas da garçonete que passava célere entre todos.

quinta-feira, maio 17, 2007

Crônica de um Ladrão de Almas - Capítulo 3

Quando você pensa que está se encaminhando para um bom início de história, eis que aparecem lugares até antes esquecidos do narrador. Pois ainda há muitas vidas a se tratar e o tempo para isso muito pouco...

Portanto vamos logo para uma rua escura no meio de uma noite dessas que pessoa alguma gosta de lembrar. O cenário pode parecer daqueles que fazem a alegria dos adoradores dos filmes de suspense clichê ou de outros não tão adoradores assim, mas que apreciam uma diversão comum. Ambos bons tipos de pessoas, honestas, com seus empregos, ordenados e rotinas. Vão a um cinema numa noite calma e escura, imaginando esquecer um pouco de suas vidas tranqüilas durante as duas horas e pouco de projeção. Provavelmente vão acompanhados, mas isso não importa agora. Não mais.

O fato é que nesta mesma noite escura e clichê, pessoas as quais os nomes são irrelevantes fizeram com que a rua, as pedras da rua, os tijolos das construções e o cinema em si, juntamente com todas as pessoas que lá dentro estavam, voassem pelos ares na maior explosão que aquela cidade já havia presenciado.

A localização de tal cidade também não importa, uma vez que todos já a conhecem pelas imagens da televisão. Os destroços das construções e das pessoas do bairro onde havia o cinema circularam o mundo poucos minutos depois do estrondo. Junto com ela o nome Meníacles, repetido como uma espécie de oração, um mantra negro o qual apenas dizia das desgraças explosivas que vêm acontecendo há alguns anos. Os apresentadores dos telejornais da noite o repetem com a mesma devoção que um padre em sua missa. Fazem lembrar de outras tristezas que tal nome tempos atrás havia produzido, estourando imagens de sangue e queimaduras passadas, guardadas para um momento esperado como este.

Diante de um dos milhões de aparelhos de televisão a transmitirem os choros dos sobreviventes e os lamentos dos repórteres e políticos está Antônio Costa. Afinal conseguira chegar em casa, apesar do sono pesadíssimo que lhe acompanhou a viagem toda. Entrou e não havia irmão nem ninguém em casa. Sem ânimo ou fome para comer qualquer coisa foi à cozinha extrair uma caixa de leite da geladeira e um pó achocolatado da despensa para enfim desabar na poltrona e ligar a televisão.

Não tinha muita idéia de porque toda aquela gente estava tão emocionada. O sono toldara-lhe o entendimento. Simplesmente assistia à infinidade de entrevistas, imagens e fotos como se fizessem parte de algo fora do mundo. Percebia que falavam do tal Meníacles como uma espécie de demônio que veio levar a humanidade ao caos. Uma criatura que não se sabe ao certo qual seria o rosto, quando o comum para os profissionais do medo seria mostrá-lo sempre a fim de insuflar mais medo por sua imagem terrível. Também não se sabia seu nome, posto que aquele fora dado por um jornalista depois de um ato parecido ocorrido num centro de compras grego. A razão de tal nome escolhido em detrimento de tantos também jamais foi esclarecida, o jornalista que o dera desapareceu misteriosamente semanas depois de escrevê-lo no jornal em que trabalhava. Isso ajudou a fazer com que o nome dado se espalhasse rapidamente e cristalizasse a sutil crença de que foi a tentativa de nomear o demônio que fez com que o pobre homem desaparecesse.

Contudo, essas filigranas religiosas e profissionais passam muito ao largo de Antônio, já completamente imerso em sono invencível.

Daqui a pouco seu irmão chegará do bar onde esteve com a noiva e mais um grupo de amigos, retirará Antônio da poltrona e ambos irão para seus quartos dormir. Nenhum dos dois se importará com o conteúdo do telejornal da noite quando acordarem.

Sim, ninguém se importa. Quando as imagens de morte pararam, bem depois de Antônio adormecer, substituíram-nas por moças alegres numa tarde de sol em algum canto do mundo. Era o primeiro dia de sol depois do mais longo dos invernos naquela região aonde temperaturas polares chegaram a ser registradas. As moças estavam alegres. Pararam sua brincadeira ao sol fraco do início daquele verão apenas para conversar com o repórter. Ele também esperando o momento em que pudesse largar o fardo de sua profissão para ficar sob aquele sol, talvez até ao lado daquelas moças...

Repórteres em si são pessoas esperançosas. Dormem e acordam imaginando sua grande virada, a história que os levarão aos píncaros da glória de sua profissão, ou pelo menos a um ordenado maior. Sempre esperam algo. É do seu trabalho. Não podem criar nada, não podem dizer “ali está” sem que esteja realmente. Nisto reside sua maior angústia.

Por isso trocaram as imagens de morte pelas de alegria. Não sabiam mais como lidar com algo acabado de ser criado ali mesmo, bem na frente deles. Algo que nunca poderiam fazer pois a criação está fora de sua alçada. As imagens de sol e moças felizes são mais fáceis de serem controladas posto que se repetem de ano a ano naquele país que mal conhece o calor. Em verdade não há criatura mais infeliz que eles, pois são os únicos condenados a viver inteiramente no mundo e do mundo, sob pena de perderem toda a personalidade. Todo repórter é um poeta que não pode sonhar.

Mas deixemos suas angústias aqui por enquanto. Muito ainda irá se tratar deles no decorrer disto, e é preciso que os personagens apareçam e digam logo a suas falas para que ninguém se sinta entediado por resolver acompanhar esta história.

Crônicas Rurais Parte 2.

Decidi voltar a esse tão deslumbrante tema da vida esfuziante da metrópole de Pedro Leopoldo, onde atualmente resido. Agora pretendo falar do bar que fica perto da minha casa.

Na verdade devo dizer que esse bar tem uma peculiaridade que jamais tinha visto em qualquer outro, mesmo aqui, neste lugarejo. Todos sabem que durante determinados horários do dia esses lugares onde se vendem cerveja e outros derivados do álcool ficam vazios. Ao menos vazios de qualquer um que tenha alguma responsabilidade durante o dia. Enfim, esse bar não.

Caso não tenham advinhado, digo logo de pronto. Nunca, em horário nenhum, há pessoa alguma lá, exceto o dono. Ninguém bebe nada, come um lanche ou entra no lugar. Ficando o mesmo completamente deserto todo o tempo. A parte isso, não se esboça o mínimo movimento no intuito de se fechar o estabelecimento. Sim, porque imagino que o dono de tal aberração deva pagar a energia com que alimenta as lâmpadas e as geladeiras, deve comprar bebidas e comida para vender. Deve ter as despesas normais que um bar deve ter.

Todos os dias que passo por ali penso em entrar e desvendar o segredo disso. Mas todas as vezes sou bloqueado por uma preguiça imensa e o medo de saber que a magia do lugar pode ser quebrada por uma coisa tão prozaica como uma boca de fumo ou coisa assim.

No fim das contas prefiro ficar com a poesia do dono do bar que passa os dias asssistindo à televisão. Sozinho.

segunda-feira, abril 30, 2007

O Homem sem Barba.

Esta manhã, tomei meu costumeiro banho e logo depois me dirigi ao espelho para fazer minha barba... Não que o ato em si ou meus ralos e raros pêlos faciais tenha alguma importância para o mundo a ponto de escrever sobre isso no blogue. O fato é que ao empunhar a lâmina algo me ocorreu, como uma espécie de iluminação digna de Rosseau.

A luz refletida na lâmina e depois no espelho me levou a tempos e lugares onde a barba é sinal de prestígio social e até de poder. Em Atenas, na antiguidade, um homem só era considerado cidadão capaz e maior depois de desenvolver barba - nesse caso eu seria uma eterna criança lá. E a barba sempre foi um símobolo de força e respeito entre os orientais, principalmente os muçulmanos. Até pouco tempo atrás, exigia-se no Afeganistão que um homem devesse ter a barba do tamanho de seu punho sob pena de severos castigos e quem sabe até morte. Certamente o Afeganistão seria um lugar terrível para imberbes como eu...

Então, desta viagem fui catapultado de volta ao presente e meu banheiro. Fiquei só, eu com minha barba. E pensei: se a barba tem toda essa simbologia, não seria melhor que ela fosse eliminada de uma vez das mal escanhoadas faces dos homens? Pois assim ninguém mais poderia jurar coisa alguma sobre o fio de seu bigode ou elevar a barba à categoria de escudo de sua honra masculina. Não haveria como pôr as barbas de molho, acabando assim com um dos mais conhecidos chavões de dissimulação e esperteza que existem. Em suma, o mundo seria um lugar melhor, e mais limpo, para se viver. Com menos lâminas e menos sangue a escorrer por elas para ser limpo com uma toalha ou papel higiênico.

No alto de minhas divagações pensei numa espécie de paraíso terrestre, onde muldidões sem pêlos se abraçavam e passeavam em campos de antigas lâminas enferrujadas. E com os olhos marejados pus-me a barbear-me!

terça-feira, abril 17, 2007

Notícia bombástica.

Al-Jazeera cria canal no YouTube

Momento trocadilho infame inevitável: Eu vi e o canal tá bombando!

Crônicas Rurais.

Bem, ultimamente estou meio sem poder atualizar isso. Também pudera!... Fui condenado a passar a semana numa cidade onde as pessoas dormem logo depois da novela das oito e muita gente prefere beber coca cola litro no bar ao invés de cerveja. Mais saudável impossível!

Some-se a isso ao fato de eu acessar computador apenas do trabalho, o que dificulta ao máximo qualquer palhaçada que eu venha querer postar aqui. Minha alforria vem se dando somente aos fins de semana, quando volto para meu antigo apartamento para matar as saudades de meu amado computador de minha cama, que nunca pensei que fosse tão confortável.

Mas deixemos de explicações e passemos à esculhambação geral.

Dia desses estava eu caminhando pela rua principal da "metrópole" de Pedro Leopoldo onde vivo agora e resolvo sentar no boteco. Nada melhor para fazer, considerando-se que o cinema local está a passar um filme já saído de cartaz ano passado em Belo Horizonte. E quem quer cinema mesmo e gastar dinheiro com essas coisas quando se pode assistir a tudo do conforto de seu lar? Deve ser assim que as pessoas pensam aqui...

Continuando, enquanto estava eu a degustar uma cerveja - que, ao menos, veio gelada - resolvi prestar mais atenção à um fato peculiar do logradouro: Bicicletas. Centenas delas, senão milhares. Isto é, se a conta populacional daqui puder ser medida em milhares. O fato é que elas disputam palmo a palmo espaço da rua com os carros e até caminhões. Muitas vezes têm mais preferência que eles. A grande maioria delas possui a famosa cestinha na frente para carregar os pertences dos condutores. Esses vão de simples sacolinhas de supermercados a coisas que não sei definir direito embora sejam grandes. Me ocorre agora que é melhor não tentar definir, pode ser traumático demais.

Enfim, minha vida é essa de contato com a natureza e o ar puro do campo. Sem o stress de Belo Horizonte, seus personagens malucos, seus botecos, as moças da faculdade...

Pelo amor de Deus, me tirem daqui!

quarta-feira, abril 11, 2007

Novidade do dia número 1!

Buscas inúteis na internet custam 2 dias de trabalho por mês, diz pesquisa

Eu devo perder em torno de uns dois meses por ano no mínimo. E nem vou contar o tempo que passo dentro de um boteco senão entro em depressão!

Onde está meu Prozac?!