segunda-feira, abril 30, 2007

O Homem sem Barba.

Esta manhã, tomei meu costumeiro banho e logo depois me dirigi ao espelho para fazer minha barba... Não que o ato em si ou meus ralos e raros pêlos faciais tenha alguma importância para o mundo a ponto de escrever sobre isso no blogue. O fato é que ao empunhar a lâmina algo me ocorreu, como uma espécie de iluminação digna de Rosseau.

A luz refletida na lâmina e depois no espelho me levou a tempos e lugares onde a barba é sinal de prestígio social e até de poder. Em Atenas, na antiguidade, um homem só era considerado cidadão capaz e maior depois de desenvolver barba - nesse caso eu seria uma eterna criança lá. E a barba sempre foi um símobolo de força e respeito entre os orientais, principalmente os muçulmanos. Até pouco tempo atrás, exigia-se no Afeganistão que um homem devesse ter a barba do tamanho de seu punho sob pena de severos castigos e quem sabe até morte. Certamente o Afeganistão seria um lugar terrível para imberbes como eu...

Então, desta viagem fui catapultado de volta ao presente e meu banheiro. Fiquei só, eu com minha barba. E pensei: se a barba tem toda essa simbologia, não seria melhor que ela fosse eliminada de uma vez das mal escanhoadas faces dos homens? Pois assim ninguém mais poderia jurar coisa alguma sobre o fio de seu bigode ou elevar a barba à categoria de escudo de sua honra masculina. Não haveria como pôr as barbas de molho, acabando assim com um dos mais conhecidos chavões de dissimulação e esperteza que existem. Em suma, o mundo seria um lugar melhor, e mais limpo, para se viver. Com menos lâminas e menos sangue a escorrer por elas para ser limpo com uma toalha ou papel higiênico.

No alto de minhas divagações pensei numa espécie de paraíso terrestre, onde muldidões sem pêlos se abraçavam e passeavam em campos de antigas lâminas enferrujadas. E com os olhos marejados pus-me a barbear-me!

3 comentários:

Tio Xavier™ disse...

Eu acharia legal também se não possuíssemos pêlos púbicos, os quais faço questão de exterminar sempre que posso.

Francamente, se já usamos roupas há tantos milênios e ainda possuímos vestígios de pelagem, é sinal de que não somos tão evoluídos quanto se presume.

Dani disse...

Não vou entrar no mérito da barba, nem em relação pêlos x evolução. Isso é pegar só um lado da questão!
Além do mais, ostento (já de alguns meses) um visual mariachi, que me cai bem.

Ô Maicou, manda esse texto pra algum lugar, uma revista ou jornal da Internet, uma página que mostre! Tá muito bom.

Gabriela Iscariotes disse...

Pelos são uma coisa meio nojenta, na minha singela opinião. Recomendo a todos os rapazes que abram mão do hábito de cultivar barba e bigode: ela não os deixa mais másculos, apenas me faz imaginar o quanto se molham a cada golada de café ou colherada de sopa (se for miojo o efeito é pior, eca!).